Entrevista com Rodrigo Waissman da nova rede social FRUGAR

Rodrigo Waissman1Rodrigo Waissman é um executivo que vivenciou a evolução da Internet no Brasil desde 1997, com passagens pela MLab, pioneira em desenvolvimento de websites no mercado brasileiro, Neoris e Yahoo!, empresa pela qual foi diretor de desenvolvimento de mercado para América do Sul e diretor de produtos na Austrália e Nova Zelândia. De volta ao Brasil em 2008, a veia empreendedora o levou a juntar-se à Kleintech, startup que desenvolveu o Frugar, uma rede social de opiniões sobre produtos, iniciativa brasileira que quer ganhar o mundo. Conheça a novidade em www.frugar.com.br e leia a entrevista abaixo.

Plantão Online: O que é o Frugar?
Rodrigo: O Frugar é uma rede de opiniões sobre produtos. Um espaço no qual as pessoas podem compartilhar suas experiências e procurar apoio para tomar decisões quando estão diante de uma necessidade que um produto pode responder, ou simplesmente desejam avaliar algo para comprar. É uma rede que nasceu com uma natureza prática, mas que também serve para as pessoas expressarem interesses e até certo ponto, seu estilo pessoal, de forma divertida. E uma idéia brasileira que estaremos levando em 2011 para os Estados Unidos, o que também considero muito significativo.

Plantão Online: Como surgiu a idéia de criar uma rede de opiniões sobre produtos?
Rodrigo:
Como resultado de um processo de muita pesquisa e discussão. No início estávamos preocupados em oferecer uma ferramenta de acesso às compras online em celulares mais simples que os smartphones. Refletindo sobre as tendências de mercado, nos deparamos com uma oportunidade ainda maior, e apostamos na união de dois fenômenos: de um lado as compras online, que vão continuar a crescer vigorosamente por muito tempo e em cada vez mais dispositivos, e do outro as redes sociais, que deixaram de ser um conceito dominado pelas gerações mais novas e agora se espalham entre todas as faixas etárias. Optamos por esse caminho em 2009.

O termo shopping social, na nossa interpretação, é, na verdade, uma extensão natural dos nossos relacionamentos pessoais  influenciando decisões de consumo. Isso existe desde sempre, mas a tecnologia pode dar escala e tornar mais eficiente essa troca de informações.

Plantão Online: E como vocês identificaram essa oportunidade?
Rodrigo:
Imagine que você está conversando com uma amiga e quer comprar um tênis de corrida. Ela lhe indica um tênis de alta performance, mas você lembra que tem o pé muito alto e portanto precisa de conforto. Essa informação surge naturalmente na conversa, e sua amiga praticante de corrida indica uma marca com desempenho um pouco pior, mas que compensa no conforto dos pés. A partir daí, a conversa evolui para outros acessórios usados durante a corrida, como um MP Player, o melhor cronômetro ou medidor cardíaco para usar no seu treino.

Atualmente, a Internet atende as pessoas no último passo desse processo, quando o produto que querem comprar já foi escolhido e elas estão procurando o menor preço. O Frugar vê esse último passo como parte, e não o todo. Nós entramos bem antes, quando você decide que, por exemplo, quer começar a correr três vezes por semana, e pesquisa tudo que diz respeito a isso. Adicionalmente, o Frugar visa o contexto, que é a “conversa de bar com amigos”. Mais vale um amigo que sabe que você usa um computador para tarefas simples e indica uma boa máquina para isso do que um especialista que recomenda um mega computador sofisticado para atividades que exigem alto índice de processamento.

Plantão Online: Mas essa troca já não ocorre naturalmente?
Rodrigo: Claro! O problema é que nós não estamos sempre no bar conversando e tendo apoio dos amigos ao tomar nossas decisões de compra. Nem sempre as pessoas estão disponíveis e muitas vezes os amigos que detém o conhecimento adequado para lhe ajudar não são aqueles que você consultou. A notícia boa é que a tecnologia ajuda a resolver isso, registrando impressões, procurando contexto e permitindo que as pessoas interajam e consultem os registros sem restrição, quando e onde quiserem.

Plantão Online: E como o Frugar organiza esse conteúdo todo registrado?
Rodrigo: O Frugar desenvolveu o conceito de coleções para guardar o conteúdo das opiniões e trocas entre as pessoas. As coleções são um dos pilares do Frugar, junto com as pessoas e os produtos. Voltando ao exemplo da pessoa que quer começar a correr, as experiências da comunidade de usuários podem ajudá-la de várias formas. Se essa pessoa quer uma resposta rápida, pode procurar por coleções sobre equipamentos de corrida em geral ou tênis de corrida em particular. A partir daí, é só seguir as coleções e interagir, pedindo sugestões aos outros usuários ou lendo as dicas obtidas por alguém em condições semelhantes. Mas imagine que você quer informações para o seu caso. Aí você pode criar uma coleção com algumas opções de tênis, cronômetros e bonés e pedir a ajudar dos seus amigos para escolher.

Plantão Online: Qualquer um pode ajudar?
Rodrigo: Depende da configuração de privacidade definida pela pessoa que montou uma coleção. Numa coleção pública, qualquer participante da rede pode contribuir. Numa coleção compartilhada, todos os seus amigos poderão ajudar. E temos também as coleções privadas, que servem para você usar sozinho – organizando suas compras futuras, por exemplo – ou para você convidar apenas um grupo restrito de amigos. Se eu quiser dar um presente de surpresa para a minha esposa, por exemplo, posso criar uma coleção pra discutir esse presente com as melhores amigas dela, e ela nem vai ficar sabendo…

Plantão Online: E os prosumers, entram como nessa história?
Rodrigo: No Frugar costumamos dizer que todo mundo entende de alguma coisa. O prosumer é um sujeito que entende muito de algum assunto. O Frugar, portanto, é uma excelente plataforma para quem quer construir credibilidade pessoal a partir da demonstração de conhecimento sobre determinado tema. Um enólogo que está entrando no mercado pode fazer suas coleções de dicas de vinhos para diferentes ocasiões. Um especialista em manutenção de computadores pode montar coleções com produtos interessantes para criar um ambiente produtivo e seguro de trabalho no home office dos seus clientes, e por aí vai.

Mas acho que o Frugar não se restringe aos prosumers.  Qualquer pessoa que se sente compelida a compartilhar com o mundo uma paixão pode usar o Frugar para isso. Eu adoro livros de futebol e posso fazer uma coleção sobre esse tema. Minha esposa adora séries de TV e pode fazer coleções com as suas dicas de seriados de comédias e dramas da TV. Existem assuntos subjetivos nos quais não há como dizer se A é melhor que B, mas compartilhar experiências e interesses é por si só uma atividade prazerosa, quase sempre enriquecedora.

Plantão Online: Bom, falamos muito do Frugar em relação aos seus usuários. O seu mercado cliente é constituído pelos varejistas. O que eles podem esperar do Frugar? Quais as vantagens que a rede oferece?
Rodrigo:
Em síntese, o Frugar leva compradores potenciais, interessados em um produto, diretamente para as lojas virtuais através de links. Nesse sentido, nosso modelo para os varejistas não é inédito. Contudo, mesmo oferecendo parcerias CPC (custo por clique), temos algumas diferenças importantes em relação ao que vigora hoje no país. A primeira diferença é de qualidade da indicação. O consumidor que veio ao Frugar, interagiu com seus pares, optou por um determinado produto e clicou para acessar uma loja virtual tem uma característica distinta daquele usuário que fez uma pesquisa em mecanismo de busca ou comparou preços de um produto específico num comparador de preços. Todos esses modelos são válidos, mas penso que a qualidade própria do usuário do Frugar poderá se manifestar tanto em conversão imediata quanto em influência futura.

Outra diferença é que o Frugar é um farol de tendências e informações. Na medida em que mais pessoas utilizarem a ferramenta –  emitindo opiniões, aprovando e reprovando produtos – os varejistas e os fabricantes poderão compreender fontes de sucesso e fraquezas no seu mix de ofertas. O livro “A Sabedoria das Multidões”, do James Surowiecki, que antecede a emergência do conceito de crowdsourcing, retrata muito bem a força desse fenômeno.  A idéia da multidão como termômetro de decisões que podem beneficiar tanto a comunidade de forma coletiva quanto os seus participantes individualmente é extremamente poderosa. E com a tecnologia disponível hoje em dia, perfeitamente viável.

Plantão Online: Para encerrar, as empresas não podem ficar incomodadas com a exposição das fraquezas no conteúdo gerado por usuários?
Rodrigo:
Acho que são dois temas aí. O primeiro é evitar abusos. Temos rotinas e instrumentos para lidar com isso, como boa parte das ferramentas na web. Posso citar como exemplos a black list de termos ofensivos e o trabalho de monitoramento que fazemos, identificando perfis que concentram suas atividades em spam ou críticas repetitivas sobre um determinado produto, marca ou varejista.

Já sobre o risco das empresas abraçarem ou não a idéia com base no risco de dar destaque às queixas reais dos consumidores, ele existe sim. Mas eu percebo que a maior parte das empresas com quem estamos conversando – incluindo varejistas de todos os portes – entenderam definitivamente que a conversa sobre suas marcas já ocorre fora do seu controle nas mídias sociais. Cabe a elas decidirem duas coisas: se querem participar desse diálogo de forma construtiva e se podem prescindir das informações valiosíssimas que os consumidores conscientes do seu poder de reverberação estão dividindo entre si e com as próprias marcas.